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iaraNaika

@iaraNaika · Uma cearense perdida em BH · joined 08 Dec 2018

✨ Designer gráfico • ilustradora • quadrinista • meio bocó das ideias ✨ ✍️ 📚 Meus quadrinhos: https://t.co/dTL9iW87IF

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Que desgraça mds O tapas é a principal plataforma onde comecei a publicar os meus quadrinhos com alcance legal e um retorno financeiro com isso 😭😭😭😭 12.3K views · 1K likes · 66 reposts · 13 replies Open on X →
Oui oui, mangá francês, très chic! Je ne sais commander des baguettes en français, mais j'aime beaucoup la bande dessinée. BRINCADEIRA CARAI O QUADRINHO TÁ EM PORTUGUÊS BOM PRA CARAMBA CARA IOA A AS BOLINHA PEW PEW PEW PEW ⚪️⚪️⚪️⚪️ 🏹☀️🌻⭐️ https://t.co/K5hpSAaW2h
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Ano passado comecei a me aventurar dando oficinas de produção de tirinhas para crianças. Minha primeira turma teve seis alunos. E hoje estou dando aula para uma turminha com mais de 20 novos artistas. A base vem forte! 💪 https://t.co/qlCNTygP34
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A piada é que eu voltei a desenhr o quadrinho https://t.co/Qyp0ezIxQi
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@iaraNaika MEU DEUS ISSO VAI SER BOM DEMAIS KKKK iara como pode sempre dar as melhores histórias pra os seus fãs, essa tem uma vibe totalmente diferente de 48km mais parece q vai ser tão maravilhoso quanto, só tô me cagando de medo dos gatilhos q vai ter por ser uma história de é 6.6K views · 73 likes · 2 reposts · 1 replies Open on X →
Se você está gostando da história e quiser nos ajudar, acesse o nosso apoiase! Os apoiadores participam das etapas de desenvolvimento do quadrinho, além de nos ajudar a pagar pelo trabalho de pessoas que tornam esse material acessível! E muito obrigada por ler até aqui 🌹💛 https:
Essa imagem é um print da página do projeto no site apoia-se:
A Rosa de Ouro Preto - mais uma história de gays trambiqueiras
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Na parte inferior esquerda da página está desenhada uma rosa solitária, perdendo suas pétalas, em um fundo totalmente branco.
Página de agradecimentos finais, com os nomes dos apoiadores que financiaram o lançamento desse primeiro capítulo pelo site apoia-se.
Muito obrigada pelo apoio!
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“O velho é um tapado, também não suspeitou de nada”, a amiga dá risada. Uma mão desliza pelo corrimão enquanto desce a escada. “Acho que vai ser fácil lidar com isso, eu só tenho que fingir que me preocupo com ela”. Laila se sobressalta ao perceber Rosanna nos últimos degraus. A franja cheia da jovem oculta sua expressão. “Falando no diabo… Vou desligar, a coitada acordou e tá aqui em pé me olhando. Melhor eu ir ver o que ela quer”. Sorrindo despreocupada, assegura o amigo antes de se despedir: “Fica tranquilo, ela é totalmente surda. Não consegue entender nada do que tô falando. Tchauzinho!”.
Laila bate o telefone ao devolvê-lo ao gancho. “Você precisa de alguma coisa?”, se dirige à outra. Balançando os braços em gestos aleatórios, fala devagar e sem conter o volume da voz: “O-que pre-ci-sa--!!!”. Diante do silêncio de Rosa, ela se lembra: “Ah, é mesmo, tenho um caderninho comigo”. Dos bolsos do avental, tira um bloco de notas e uma caneta. “Até que o idiota do seu pai foi esperto em deixar esses caderninhos por aí”. Ela a oferece os objetos: “Aqui!”, e questiona: “Escreve aí. O que você tá querendo acordada a essa hora?”. Segura, Rosanna logo põe a caneta em ação. Laila fica impaciente: “Aff! Ela tá escrevendo demais. Espero que não queira nada que vá me dar muito trabalho”. Seu olhar é de desdém.
Satisfeita, Rosa sorri jubilosamente ao virar o caderninho para a outra. “Eu entendi tudo que você estava falando ao telefone”, dizem as letras grossas e caprichadas no papel. O assombro se abate sobre Laila: “O QUÊ?”, exclama de olhos enormes. Rosa vira a página e a encara sem tirar o sorriso ácido do rosto. “O ‘idiota’ do meu pai não deve ter te falado, mas eu sei ler lábios muito bem. SUA VADIA BURRA!”, ela xinga em letras rabiscadas. Desacreditada, a outra ensaia um sorriso: “E-ei! Espera, acho que isso é um mal entendido…”.
Laila recua atormentada. “E-eu só estava--! Espera aí, você tá confundindo as coisas”. Enquanto Rosa avança a encurralando, pensa: “Pera, será que ela tá me entendendo mesmo?”. E então profere palavra por palavra em voz alta: “Já sei! Me-dá-esse-caderninho-que-eu-vou-explicar!”. Sem dar atenção, a outra está virando a página novamente. Laila escorrega e cai no chão, soltando uma exclamação de dor. Inclinando-se sobre ela, Rosa mostra seu recado final. “Mas que merda--??”, é a reação que ele provoca na impostora. Uma moldura floral decora sua nêmesis sorridente: “Mas não se preocupe, eu não vou te dedurar para ninguém… contanto que você faça tudo o que eu mandar”.
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Noite. Grilos cantam e as estrelas se fazem nítidas no céu enluarado sobre o casarão. Ainda de uniforme, Laila senta-se em sua nova cama. Concentrada, fala consigo mesma: “Puta merda, ela tem 20 anos”. Ela estuda um par de papéis a respeito de seu trabalho. “Uhum… Uhum…”, murmura enquanto avança na leitura. Cortinas abertas decoram as duas janelas do quarto. “Perda total de audição aos 6 anos…”. Ela levanta os olhos. “Perda total?”.
Laila abre sua porta e espia a do quarto vizinho. “Será que é isso mesmo?”. No fim do corredor há um vaso de espada de São Jorge. De mãos no quadril, ela examina a entrada à sua frente. Experimenta bater na porta, mas não obtém resposta. Então bate mais forte, com o punho. Por fim, parte para a agressividade: chuta a porta repetida e ruidosamente. Uma cômoda larga faz companhia ao vaso de planta.
Triunfante, Laila solta um risinho de comemoração: “Talvez dê tudo certo”. Desce as escadas sem se preocupar com o barulho dos passos. Tira o telefone do gancho: “Alô? Quero falar com o Gil”. Ela se acomoda confortavelmente na poltrona ao lado do aparelho. “Diz que é uma amiga querida, ele vai saber quem é”, solicita, engrandecida.
“Alô, Gil. Te ligando pra avisar que tô viva. Mas aconteceu um imprevisto no plano”. Móveis robustos e paredes emolduradas a envolvem na sala. “Não, não! Eu tô bem, ninguém me descobriu”. Laila examina as unhas enquanto conversa. “Mas aquelas fitas da tia Samira são antigas… A tal herdeira não é mais criancinha. Ela tem 20 anos!”. “Para de rir, seu babaca!”, ralha com o amigo. “Não! Isso não vai atrapalhar os planos. Acho que consigo enrolar ela sim. Se tivesse desconfiado ela já teria avisado o pai”. De pernas cruzadas, continua: “Mas você tem que ver essa casa! Aqui tem 6 banheiros! Pra quê tanto banheiro?”, ri debochada. “Ah, a garota é bem magrela, com cara de sonsa…”, a jovem sorri maldosa e gesticula com a mão. “Loirinha e com franja, tipo uma paquita meio desnutrida”. Asterisco para nota de rodapé: “Paquitas eram um grupo de bailarinas e assistentes de palco do programa de sucesso nos anos 80/90 ‘Xou da Xuxa’, onde todas as integrantes eram loiras”.
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Os pensamentos de Laila estão a mil: “Merda! Merda! Tenho que manter a calma… Mas se ela ainda precisa de algum tipo de ‘cuidado especial’ é só me manter na personagem…”. Vicente olha para a filha e fala: “Linda, não é? Minha florzinha tá ficando igual a mãe dela”. Com os braços atrás do corpo, Rosa olha simpática para o pai. “Na sua carta de recomendação você dizia que sab aqueles trem de sinais de surdos, não é?”, ele se dirige a Laila com antecipação. “Mostra aí pra Rosa, ela vai gostar!”, pede. Aflita, a jovem arrisca: “Ah, é”, e então fecha a mão direita em frente ao peito e sobe o mindinho enquanto traz o braço para fora. “‘Oi!’”, diz em voz alta. Em resposta, Rosa eleva a mão esquerda à lateral da cabeça e faz círculos com o polegar e o dedo mínimo estendidos. Risonha, Laila pensa: “Não entendi o que ela respondeu. Mas foi sorrindo, acho que acertei”. “Acho muito engraçadinho esse negócio!”, o patrão ri. “Mas vamos tomar um café e tratar dos detalhes do seu serviço”.
Para além das árvores que circundam o casarão. “Então, Laisa…”, o homem começa. “É Laila, senhor Vicente”, ela corrige mais uma vez. “Ah, sim”. Os três sentam-se numa mesa redonda. No centro, um prato com pães de queijo. “Eu sou muito ocupado com meus negócios em BH. Então, venho para casa apenas nos finais de semana”, ele explica. “Os outros criados são liberados mais cedo nesses dias. As chaves da casa e o acesso ao carro são de responsabilidade do Rubens. Em caso de emergência, é só chamar por ele na garagem”, prossegue. Rosa os observa enquanto come. “Quanto aos cuidados com a Rosa, prefiro que você não incentive só esse negócio de sinais que a Samira inventou. É bonitinho, mas não adianta ela só se comunicar de uma forma que ninguém mais entenda, eu não gosto disso”, ele diz sério. “É melhor usar os caderninhos que ficam pela casa, como todos os outros usam pra falar com ela”. Laila fica aliviada: “Uffa, me dei bem nessa!”, pensa, e para ele, fala: “Ok!”.
“Bem, infelizmente vou ter que voltar para Belo Horizonte ainda hoje”, diz Vicente. “No seu quarto vai estar o plano semanal de rotina da Rosa. E mais outras informações”, completa com as mãos juntas. O homem se levanta e põe a mão no ombro da filha. “Bem, por enquanto é isso! Eu volto na próxima semana e então veremos como você vai ter se saído”. Rosa sorri docemente. Austero, se dirige a Laila: “Garota, cuide bem da minha filhinha”. Ela prontamente se põe de pé e responde, categórica: “Eu vou dar o meu melhor, senhor!”. “Assim espero”, o patrão pontua. Os arcos de ferro do encosto das cadeiras formam um coração estilizado.
Em frente às colunas da varanda da entrada, as jovens se despedem de Vicente, que parte de carro. “Muito bem, o que eu faço agora…?”, Laila pensa enquanto observa a outra em silêncio. “Enrolar uma criança é uma coisa, mas essa daí vai dar trabalho… Preciso ter certeza se vai dar certo continuar com o plano, mas eu acho que consigo lidar com isso”. Sua companhia segue acenando, de sorriso no rosto. “Ela não deve conhecer nada fora desse mundinho, talvez seja fácil de manipular”.
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Essa imagem é uma versão em folha dupla das duas páginas anteriores, que mostra o primeiro contato das duas protagonistas.
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“Aquele ali fora é o nosso jardineiro”, Vicente segue apresentando. Dentre arbustos de rosas, uma pessoa jovem usando macacão e chapéu acena de luvas: “Opa, bão?”. Seu rosto tem um bigode ralo e uma pinta abaixo da boca. Risonho, o patrão põe o braço em volta de seus ombros: “Esse cotoco de gente aqui é o Chiquinha”. Rindo por educação, o jardineiro tira o chapéu e adiciona: “Oi, pode me chamar de Chico”. Ele tem cabelo preto liso e usa óculos. O homem mais velho insiste: “Que Chico o quê? É Chiquinha!”, e ri exageradamente. O rapaz encolhe os ombros e sorri constrangido. “Prazer, meu nome é Laila”, a jovem o responde. “Olha aí, Chiquinha, mais uma flor pra essa casa. Só que dessas você não gosta, né?”, Vicente provoca, achando graça. Chico aperta o chapéu entre as mãos e solta baixinho, exasperado: “Po-por favor, pare com essas brincadeiras--”. Para sua sorte, um barulho de carro desvia a atenção do patrão: “Ah, eles chegaram!!!”.
“Venha aqui, garotinha! Vou lhe apresentar o homem da casa quando eu estou ausente”, Vicente a conduz. Do banco do motorista, desce um homem forte de pele escura. “Esse aqui é o Rubens, o meu capataz. Rubens, essa é a nova cuidadora”. Surpresa, a jovem encara o homem alto de cabelo crespo e camisa xadrez a sua frente. “Oi”, ele a cumprimenta, o rosto anguloso sustentando a expressão séria. Vicente completa: “Ele não fala muito. E é o nosso faz tudo”. Laila se dirige ao funcionário: “Oi, Rubens… Meu nome é Laila…”. Ele responde: “Prazer!”, e já sai: “Vou guardar as compras”. Nas mãos, ele carrega sacolas cheias. “Ok! Vai lá!”, aprova o patrão. “Ah! E aquela ali saindo do carro…”, começa, olhando para o lado.
O que Laila observa a faz suar frio: “Essa garota--!!!”, pensa com espanto. Uma jovem de jeans e tênis anda em direção a eles. “Essa é a minha filhinha…”, diz Vicente indo de encontro a ela, sem deixar de olhar para sua nova funcionária. A visão aérea exibe um carro de quatro portas estacionado no chão de revestimento de pedra.
“Rosanna!”, o homem conclui, e a jovem loira sorri gentilmente ao acenar. Pontos de luz, roseiras e pétalas soprando coroam sua introdução. A revelação recai sobre Laila com força: “Ela não é… uma criança!”. Sorrindo de olhos fechados, Rosa emite um barulho que parece uma confirmação para o pensamento da outra. Ela tem rosto fino, franja escovada e cabelo liso pouco abaixo do ombro. Está usando blusa larga por dentro da calça, pulseiras e anel.
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No horizonte, uma igreja barroca se ergue em meio à cidade. “Oh! É mais bonito que nos cartões postais!”, Laila exclama impressionada. “Não dá tempo de turistar”, Gil pontua. A amiga se queixa: “Ah, qual é?”. Ele continua: “A casa fica longe da cidade, vou te deixar perto. E de lá você vai a pé”. Mais tarde, praguejando, Laila caminha por uma estrada de terra: “Se fuder! Esse povo mora no meio do cu do conde!”. Cercas de arame e algumas árvores contornam o caminho. Suando e ofegante, ela chega ao seu destino: “A casa deve ser essa…”. Diante dela se revela a extensa fachada de um casarão. “Err... certeza que é essa!!!”.
Vicente atende a porta e dá a ela as boas-vindas. “Maira, você chegou! Vamos, entre”. Dessa vez ele usa colar de cruz e uma camisa modesta. Por trás dele, o interior da casa se revela: mesa e cadeiras de madeira adornadas, uma alta cristaleira, quadros na parede e uma escada de muitos degraus. “Er… É Laila, senhor. Licença…”, diz sua mais nova empregada. Com a mesma tiara da entrevista, ela carrega uma mochila no ombro. “Oh, certo”, responde ele, e informa, com as mãos no quadril: “Bem, a Rosa foi fazer compras com o capataz”. Laila pratica seu papel: “Ah… Quero muito conhecê-la”, mas Vicente continua: “E os outros empregados vão sair mais cedo hoje… Sendo assim, eu mesmo vou lhe apresentar a casa!”. Sorrindo, aponta para uma grande sala com TV na estante, sofá largo e uma planta ornamental. “Mas antes, vamos ver se o seu uniforme ficou no tamanho certo”.
Laila mexe na saia do avental branco que usa sobre um vestido preto de mangas bufantes. Com gola e barra da manga brancas, é um típico uniforme de empregada doméstica de classe alta. “Ah, ficou ótimo!”, o homem comenta satisfeito. A parede do corredor atrás dele exibe retratos em molduras ovais e um acabamento de teto bastante elaborado. “Como pôde ver, o andar de cima é para os quartos”. O de Laila tem uma cama de solteiro simples com um cobertor quadriculado. A mesa de cabeceira tem um abajur. “O quarto ao lado do seu é da Rosanna. Por segurança, o quarto dela não tem tranca”. O guarda-corpo que contorna o andar é composto por balaústres de madeira robustos. “Mas tem um interruptor do lado de fora que acende uma luz de aviso ao entrar”. Além do interruptor, alguns quadros decoram o espaço entre as duas portas. “E no andar de baixo são as áreas comuns. Agora, venha conhecer os outros empregados…”, convida Vicente.
Na cozinha, ele anuncia: “Essa é a Aparecida, cozinheira e faxineira”. Uma mulher grande de olhos pequenos sorri com empolgação enquanto avança de braços abertos em direção a Laila. Ela tem o cabelo claro preso num coque e usa brincos de pérola e um avental com babados esvoaçantes. “Ah, você deve ser a Laila!!!”. Aparecida a esmaga dentro de um abraço. “Ain, que linda! Você é muito fofa!”. Com um grunhido, Laila devolve como pode: “Obrigada?!”. A mulher a segura pelos ombros com brilho nos olhos: “Gostou do uniforme? Eu que mandei fazer!”. A jovem responde sem jeito: “Ah-... é? Eu gostei sim…”. Agora apertando suas bochechas, Aparecida segue disparando perguntas: “Seus olhos têm uma cor tão diferente! E você é tão jovem. Tem quantos anos? Já pensou em ser modelo?”. “Tenhom vinte e xeix… e-... er… nãum!”, resmunga uma Laila atordoada. “Aparecida, cuidado pra não sufocar a menina!”, Vicente comenta, gargalhando. O cinto que usa na calça tem uma fivela ovalada.
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Vicente volta a olhar para Laila. “A vida foi dura com a minha pequena apesar dos meus esforços em protegê- la. E… talvez seja bom...”, ele soa interessado, “...tentar uma abordagem diferente”. Laila parece não compreender. “A minha filha é um doce, mas também muito temperamental…”, ele afirma. Mexendo no anel, revela: “Ela dispensou todas as outras cuidadoras que contratei e estou ficando sem opções”. Uma Laila surpresa recebe sua proposta: “Acha que pode lidar com isso?”. Ela não perde tempo: “S-sim, senhor!”. As mãos dele se juntam satisfeitas: “Ótimo!!! Pode pegar os documentos do trabalho na recepção. Você começa na semana que vem!”.
Animada, Laila se levanta e põe as mãos sobre a mesa, inclinando-se em sua direção: “Muito obrigada, senhor! Eu farei o melhor para cuidar da sua preciosa filha.” Sorrindo vitoriosa, pensa: “Puta merda, eu consegui! Eu realmente consegui!!!!”.
De novo na companhia de Gil, Laila abre uma latinha de cerveja: “À tia Samira!”, eles brindam. “À Tia Samira!”. Várias latas já se acumulam na mesinha entre eles. Gil ri enquanto lê os papéis do contrato: “Olha isso, tem que usar até uniforme! Vai ser muito engraçado”. A amiga dá um gole: “Pelo menos pagam bem pra caralho! E se tudo der certo… em seis meses consigo todo o dinheiro que a gente precisa.” De shorts, Gil assume uma postura relaxada. “Mas coitada da menina… Você tá se aproveitando dela ter problemas e tal…”. Laila debocha: “Coitada se fosse pobre! O pai tá aí gastando a maior grana pra ela ter tudo que precisa”. Então completa, rindo: “E o que a herdeirazinha tá precisando agora… é que a cuidadora nova fique mandando o suficiente!”.
O amigo se junta ao riso e puxa mais um brinde: “Então, à herdeira!”. “À herdeira!”, diz Laila orgulhosa. Passado um tempo, estão na estrada com o carro de Gil: “Tô levando as fitas. Podem vir a calhar, sei lá”. Bloco de narração: “Dessa vez é coisa séria, tenho que me preparar”. Receoso, Gil questiona: “Olha, Laila, não sei não, será que isso tudo é uma boa?”. Narração: “Se eu der mole, vou me ferrar de verdade”. Ela insiste: “Não começa, nada de dar pra trás agora!”. Usando o mesmo vestido florido do brechó, ela coça o ombro repetidamente.
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 “Pode entrar!”, uma voz a convida de dentro da sala. Um homem branco de terno senta-se numa escrivaninha: “...Você que é a sobrinha da Samira!?”. Ele prossegue enquanto Laila vai até a cadeira: “Meus sentimentos pela morte dela. Mas por favor, sente-se”. Bigode e sobrancelhas arqueadas acentuam a expressão severa de Vicente Tomasso Ferrer, que contrasta com a mecha de cabelo solitária no topo de sua cabeça. “O-brigada senhor!!! Com licença”, Laila se aproxima. “E você veio pela vaga que sua tia deixou… Estou surpreso em conhecer a sobrinha da Samira dessa forma”. Estantes cheias preenchem as paredes da sala. “O senhor tem razão em achar essa situação estranha”, diz a jovem. “Isso foi culpa da mamãe. Elas não se davam bem e eu não pude ficar mais próxima da minha querida tia…”. O homem continua: “Então, você acha que está apta para cuidar da minha filha só porque a Samira era sua parente?”. O suor escorre por trás da expressão obstinada de Laila. “O velho não tá pra brincadeira mesmo”
“Na verdade senhor… isso é exatamente o que eu acho!”, Laila diz assertivamente. Vicente cruza os braços intrigado. Ela continua: “Comecei muito jovem nesse ramo… e a tia Samira sempre foi minha inspiração. Compartilho do mesmo carinho que ela pela profissão”. A jovem sustenta o personagem: “Claro que inspiração não garante competência… mas com certeza muda o tato do trabalho do tutor”. Com a mão no peito, acrescenta: “Acredito que sua filha também precise de inspiração e eu sei que posso ajudá-lá”.
Contundente, Laila completa: “...E eu quero ser uma amiga para ela!!!”. Um riso surge nos lábios do homem e logo se torna uma gargalhada. “Olha só que mocinha mais petulante!”. Rindo de constrangimento, a jovem teme: “Já era! Eu falei besteira”. “Quem diria que você seria tão parecida com ela, hein?”, ele exclama. “Ela…quem?”.
“A Samira, claro! Ela era assim, direta, falando o que pensa, sempre com tanta confiança”, Vicente observa. “E também vinha com discursos desse tipo… dizendo que minha pequena Rosa deveria ter mais amigos que empregados…”. Ele desvia o olhar. Um anel e um relógio fazem parte de seu visual. “Era bom trabalhar com alguém otimista”. Vê-se que há um pequeno sofá ao lado de uma das estantes. “Mas com as limitações da Rosa… a vida não é normal. A minha filha é surda e além disso perdeu a mãe muito jovem”. O homem parece pesaroso. “Eu nunca consegui casar de novo. E a Rosa colocou na Samira a falta de uma presença materna”, ele observa. “Mas agora que ela também se foi…”, o relógio da parede evidencia, “não está sendo uma tarefa fácil… apenas colocar alguém no lugar dela”. Com os cotovelos na mesa, ele leva a cabeça para perto das mãos fechadas. Seu olhar está distante.
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Dia. Prédio baixo com sacada. Fitas VHS repousam sobre um aparelho de vídeo. “Mas você já viu o que tem nessas fitas?”. Outra voz: “Ainda não”. Gil senta-se numa poltrona e examina o título de uma delas: “Se a sua tia deixou isso com seu nome é porque deve ser algo importante”. “Eu sei!”, diz Laila. O aparelho está numa mesinha em frente aos dois. “Não pude ver na casa do Adair, ele não me deixa nem ligar a TV”. Ambos vestem roupas confortáveis, ele de regata e ela de camiseta larga. Gil arruma a postura e propõe: “Pô, então vamos assistir! Antes de ir inventando essas ideias doidas”. A amiga sorri: “Mas é exatamente por isso que eu trouxe essas coisas pra cá”.
Na imagem pixelada da TV, uma mulher está ao lado de uma criança em um sofá elegante. Sorrindo, elas trocam olhares de antecipação. “Olá! Meu nome é Samira e essa aqui é minha assistente, Rosanna. Podem chamá-la de Rosa”. Samira tem pele escura e cabelo preso num rabo de cavalo. “A Rosa é surda e está aprendendo a se comunicar através da língua de sinais”. A criança é loira e tem uma parte do cabelo liso presa e outra solta. Ambas têm franja e usam vestido; o da pequena tem estampa de flores. “Agora iremos ensinar como cumprimentar através dessa língua!”. Laila assiste à gravação confusa: “Hã?”. Gil está surpreso: “Uai, são fitas de aulas…?”. O vídeo continua: “Vamos começar pelos cumprimentos…”, e Gil também: “Pra quê sua tia ia te deixar isso???”. “E eu lá sei?!”, responde a amiga, “Devem ter mandado na caixa com meu nome por engano!”. Mais calma, observa: “Pelo menos com isso dá pra saber qual é a dessa criança”.
“E com essas fitas eu posso aprender muita coisa”, Laila continua, “pra fingir que estou preparada pra poder cuidar da riquinha”. Bloco de narração: “Só preciso de uma carta de recomendação, nada exagerado”. Gil fuma enquanto digita numa máquina de escrever. “Coloca os documentos falsos que fiz aos 16 pra fingir que tinha 21 anos”, a narração continua. Asterisco para nota de rodapé: “até 2003 a maioridade civil no Brasil iniciava aos 21 anos”. Laila segue supervisionando o trabalho do amigo: “Agora tá constando que tenho 23 anos. Preciso dar mais credibilidade nisso…”. “Bota aí que comecei a trabalhar numa capela ajudando velhos e que estudei no colégio de freiras de Santa Bella”. Ele a encara: “Vai dar uma de santa do pau oco? Pensei que não era pra exagerar”. Laila retruca: “Eu estudei mesmo num colégio de freiras, até a 7ª série!”. Ele ri: “Então é verdade quando dizem que desses lugares é de onde saem as piores pessoas”. O que ganha é um puxão de orelha e um xingo: “Vai à merda!”.
Prédios se erguem bem acima dos fios elétricos. Blocos de narração: “Eu já descobri qual a empresa que o tal ricaço comanda”. De pé em frente a uma secretária de blazer e penteado elaborado, Laila usa um vestido longo e florido. “Por sorte, a sede fica aqui em Belo Horizonte e ele trabalha lá pessoalmente”. A mulher fala ao telefone enquanto ela espera. “Eu entrei em contato e me falaram que o velho já estava entrevistando outras candidatas”. A secretária então aponta para o lado com a mão: “Décimo andar, sala 1008.” “Muito obrigada”, a jovem agradece. Narração: “Então foi fácil marcar de me apresentar para a vaga”. Uma tiara segura sua franja para trás. Ela chega se coçando diante da porta da sala: “Espero que esse vestido de brechó tenha ficado bom mesmo”.
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“Além da televisão, ela tinha várias outras coisas chiques”. O irmão põe na mesa uma caixa de papelão pesada com “Laila” escrito na tampa entreaberta. “E usei o dinheiro dela nos meus investimentos. Mas essa caixa com seu nome eu guardei, porque são só porcarias”. Ela se aproxima e ele revela: “Um monte desses trem de fitas de filmes”. Boquiaberta, a jovem exclama: “Mas isso--! É um aparelho de vídeo!?”. Tirando-o da caixa, questiona: “Com salário de babá dá pra comprar isso?”. Uma pilha de fitas VHS começa a se formar sobre o aparelho. “Todos os móveis que deixaram aqui também eram caros. A tia Samira não era só babá, era tipo cuidadora de uma criança doente de família rica”. Adair segue de cara fechada e braços cruzados. “Ela trabalhava lá há mais de 10 anos, devia ganhar muito bem”.
Em blocos no estilo de rolos de filme, um flashback representa dois homens conversando ao lado de caixas empilhadas. Narração em frame decorado como intertítulos de cinema mudo: “O patrão dela, um tal de Vicente Tomasso Ferrer, dono de um negócio de mineração, mandou um empregado dele aqui deixar todas essas coisas, junto com uma carta, dizendo que a tia Samira era como um membro da família e que seria difícil encontrar outra pessoa de tamanha confiança para cuidar de sua filhinha”. De volta, ele continua, agora com um leve sorriso: “Imagino que ele deve ser um homem muito direito, né? Mandando um funcionário vir até aqui deixar essas coisas… dizer que é como se eles fossem da família”. Laila segue inspecionando a caixa. “Aposto que ele que decidiu enviar essas coisas de valor pra gente”. Sem ouvi-lo, a irmã observa uma fita e pensa consigo mesma: “... Mas que merda é essa?”. O homem completa: “Já que a tia Samira era uma subversiva, ela nem devia dar valor ao dinheiro que ganhava”.
“Mas espero que o senhor Vicente já tenha encontrado alguém melhor pra cuidar da criança…”. A fala de Adair provoca um estalo em Laila. “É ISSO!!!”, diz ela de olhos arregalados. “O quê?”, o irmão pergunta, ao que ela responde enquanto sai correndo: “Eu tenho que fazer uma ligação!!!”. Confuso, de mão no quadril, ele avisa: “Se demorar demais eu te deixo trancada do lado de fora!”. No orelhão em frente à casa, a jovem fala, afobada: “E aí, Marcos! Você pode passar pro Gilmar? Sim, é a Laila! Eu sei que ele tá aí, passa logo o telefone, é urgente!”. Assim que o amigo assume o telefone, ela diz com entusiasmo: “Alô, Gil? Hei, eu descobri como posso descolar uma boa grana!”.
Pasmo do outro lado da linha, Gil dá um berro: “FINGIR QUE É BABÁ DE RICO!? TÁ MALUCA???”. Laila protesta: “Não é babá! É cuidadora, que nem enfermeira de hospital”. A resposta segue exasperada: “Você não sabe nem cuidar de si mesma!!! Tá querendo ser presa de novo?”. Ela argumenta: “Eu sou parente da antiga funcionária, isso dá mais confiança…”, mas Gil não se convence: “E quem cairia nessa?”. Laila começa: “Veja bem, a tia Samira trabalhou com eles por mais de 10 anos”. “Tá, e daí?”. “Significa que a criança já deve ter uns 12 ou 13 anos. Não precisa de tantos cuidados”. A jovem assume uma expressão endiabrada: “Nessa idade eu mesma já sabia me virar! Falsificava a assinatura do meu irmão e tudo mais. Vamo lá, Gil, me dá uma força que eu prometo não te envolver diretamente”. Perplexo, ele solta um lamento: “Ah, cara… Eu vou me arrepender muito disso…”.
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Laila tira Gil de sua preocupação reticente: “Hei! Eu tenho uma tia que mora em Ouro Preto”. “A que era professora e depois virou babá?”, ele pergunta. “Isso aí! A tia Samira”. “Você deveria morar com ela e não com o mala do seu irmão”, o jovem opina, e a amiga dispensa: “Que nada! Se ela não cuidou de mim nem quando a mamãe morreu… Devia estar preocupada com os filhos dos outros”. Postes iluminam a estrada. “Que barra…”, comenta o amigo. Laila dá um sorriso esnobe: “Ah! Se preocupa não. Eu não teria durado muito tempo morando naquele fim de mundo”. Gil se ofende: “Ah, não fala assim da minha cidade!”, ao que ela rebate: “Você mesmo fugiu de lá, otário!”.
Bloco de narração: “Então é isso, voltando pra cá outra vez…”. De dentro do carro, Gil fala com Laila: “Você tem o número do Marcos e da casa da minha mãe, né!? Qualquer coisa me liga!”. De case de guitarra nas costas e bolsa no ombro, ela responde: “Pode deixar!” e sai com a expressão enevoada. Narração: “Eu jurava que aquela teria sido a última. Eu sinto que já vivi esse momento umas três vezes”. Laila está de olhos baixos. “Esse lugar parece que tá parado no tempo”. Carregando na mão uma bolsa cilíndrica, a jovem para diante de uma porta de metal no topo de um degrau na calçada. O muro tem tijolos aparentes e no chão há tufos de mato esparsos. Ao lado, um orelhão. “E apesar de ter morado quase a vida toda aqui… passar por essa porta nunca me traz o sentimento de chegar em casa”.
Falas adentram um cômodo com cama de solteiro, TV de tubo e sofá pequeno: “Você pode dormir aqui na sala, mas vai ter que ser no chão. A minha esposa não gosta que tenha fios de cabelo no sofá”. Caixas de papelão se amontoam pelo espaço. “Ok…”. As mãos de Laila seguram um copo americano. Ela usa anel no indicador e as unhas estão pintadas de preto. A outra voz é de reprovação: “Eu sabia que isso de trabalhar com música não ia dar certo! E você vai ficar quanto tempo aqui?”. Ela responde: “Amanhã mesmo eu vou procurar outro lugar pra ficar”. “Ótimo!”, diz o homem sério vestindo uma camisa do Cruzeiro Esporte Clube. Ele tem a mesma pele escura e sobrancelhas grossas de Laila. “Ah! Também não é pra ficar ligando a televisão nem abrindo a geladeira. Gasta muita energia”. Laila assente: “Pode deixar, Adair”. Apontando para o rack da TV atrás dela, acrescenta: “Por falar na TV, ela parece muito chique. Como conseguiu???”.
“Essa TV era da tia Samira, ela morreu… Já faz uns quatro meses e tinha um monte de tranqueira dela aqui em casa”. Eles conversam sentados à mesa. “Como você tinha sumido, não consegui te avisar”. Pega de surpresa, Laila se apoia no copo que tem nas mãos. Um calafrio percorre seu corpo: “E-eu estava falando dela hoje mesmo… Caramba…”. De braços cruzados, Adair não parece afetado: “Enfim, eu não fazia questão de manter relação com ela também”. Subitamente, acrescenta: “Mas é bom que você voltou, porque eu já tinha esquecido que tem uns trem dela aqui com o seu nome”.
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Na parte inferior esquerda da página está desenhada uma rosa solitária em um fundo totalmente branco.
Noite. Texto em caixa de narração: “Belo Horizonte, 1988”. Numa rua de prédios de arquitetura colonial ouvem-se gritos: “Saiam já daqui, seus arruaceiros depravados!”. De uma janela, um homem gesticula raivosamente. “Vocês têm sorte de eu não chamar a polícia!”. Alguém devolve sem se intimidar: “Chama! Chama a polícia!”. É uma jovem de pele escura, olhos claros e cabelo curto com franja. “Seu velho brocha de merda!!!”, ela grita mostrando o dedo do meio. A pessoa atrás dela parece aflita: “Laila, não piora a nossa situação!”. De cabelo curto, o companheiro de casa tem pele clara e sobrancelhas que se encontram no meio.
Passada a cena, Laila acende um cigarro ao lado de um carro enquanto a outra pessoa mexe dentro dele. “Tudo isso só porque viu suas revistas de pornô gay. Velho babaca!”. Ela usa camiseta listrada e calça de cintura alta; sua companhia, cinto na calça e camiseta de gola V com as mangas dobradas. O amigo retruca, voltando-se para ela com o cotovelo apoiado no automóvel: “Ele só achou aquilo porque estava juntando nossas coisas pra nos expulsar. Já que fazia quatro meses que não pagávamos o aluguel!”. Laila desvia o olhar e resmunga emburrada, suas sobrancelhas grossas sempre franzidas. Ela usa uma gargantilha preta no pescoço. Preocupado, o jovem pergunta: “Vou ver se o Marcos me deixa ficar no apartamento dele… Quer ir comigo?”. O decote de sua camiseta deixa à mostra alguns pelos do seu peito. Um cordão com uma argola repousa sobre ele. “Nah, você sabe que o Marcos não gosta de mim”, a amiga responde. Ele então a provoca, rindo debochado: “Às vezes esqueço que só eu gosto de
Com o braço apoiado na janela abaixada, Laila dá tapinhas impacientes na porta: “Gil, a gente pode conseguir uma grana boa vendendo essa lata velha!”. De olhos na estrada, ele responde, impassivo: “Eu não vou vender o meu fusca!”. A passageira reclama irritada: “Chaato!!!”. Seus brincos são de argola e os de Gil, triângulos invertidos. “Laila, acho que pra mim já deu… Faz dois anos que estamos tentando vender nossas músicas… e nunca conseguimos a grana pra montar o estúdio”. Ele continua, com insegurança: “Vou voltar pra casa da minha mãe em Ouro Preto. Ajudar ela a cuidar do mercadinho, sei lá…”. Laila devolve, sem olhar para ele: “Beleza!”. O amigo reage com surpresa: “De boa, assim?”. Ela confirma: “É! Faz o que você quiser”, e continua, determinada: “Eu não vou insistir pra você ficar, mas ainda não vou desistir do nosso estúdio!”.
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Essa é uma página informativa ao leitor. 
Atenção: A Rosa de \Ouro Preto é publicado no sentido ocidental de leitura. Leia da esquerda para a direita. 
Obrigada por estar aqui, tenha uma boa leitura e tome cuidado para não se machucar nos espinhos.
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A Rosa de Ouro Preto Capítulo 1 - A Herdeira https://t.co/9QOxbP9CUN
Capa: Ilustração em estilo mangá. Cercada de roseiras, uma pessoa jovem de olhos amarelados segura uma rosa próxima ao rosto. Gotas de sangue escorrem das mãos que envolvem a flor. De pele marrom média, cabelo castanho curto e sobrancelhas grossas, a pessoa veste uma roupa preta e branca de mangas bufantes. Atrás dela, com menor nitidez, o perfil de uma pessoa loira de cabelos longos ocupa o fundo rosa-claro. De inicial decorada com a flor espinhosa, o título está em dourado e cinza: “A Rosa de Ouro Preto”.
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На фоне аккаунтов своего размера

4 постов за последние 90 дней рядом с диапазоном 10K–100K подписчиков. показывается далеко за пределами своей аудитории, и она отвечает.

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6.7K9 Jul
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14.9K16 Sep
3.2K19 Sep
12.3K22 Sep

Last 14 collected posts, oldest on the left. The scale is logarithmic: one post can outrun the rest a hundred times over.

Engagement rate per post

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Reactions — likes, reposts, replies and quotes — divided by views. Median for 10K–100K accounts is 1.55%.

What the audience does

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